25/11: Dia Internacional Pelo Fim da Violência Contra a Mulher

Hoje está havendo uma grande campanha na blogosfera para que os blogueir@s escrevam textos falando sobre a violência contra a mulher. A maior parte dos textos que tenho visto falam de violência física (e, às vezes, psicológica) infligida, principalmente, por homens contra mulheres.  Como estou grávida, quero falar de outro tipo de violência: a política de opressão do parto normal!

O que mais vemos por aí são campanhas incentivando o parto normal. O que é o parto normal? A princípio, o parto “normal” é considerado o parto vaginal. Qual é o problema deste parto? A dificuldade de acesso a ele! (Aviso: este é um post extremamente pessimista, mas isso não quer dizer que não existam outros ângulos pelos quais a questão deva/possa ser vista!)

No Brasil, atualmente, temos três possibilidades de acesso ao parto normal:  no sistema público, através de convênios/planos ou particular.

No sistema público o parto normal pode ser realizado basicamente em dois locais: os hospitais ou as casas de parto. Os hospitais normalmente são vistos como locais de doença, então há pouca estrutura para que o nascimento aconteça de forma tranquila, sem muita intervenção (sedação, anestesia, cortes, lavagens…) com um acompanhante com quem a parturiente sinta-se segura, diminuição de luzes… Já as casas de parto são o local de vida. Apesar de poucas, as casas de parto são locais específicos voltados exclusivamente para ajudar as mulheres a trazer ao mundo seus filhos com o menor número de intervenções o possível, exatamente por isso é que só são realizados partos de baixo risco e humanizados.  – Mas como é a valorização dos profissionais que trabalham para o sistema público? O governo os remunera de forma proporcional ao trabalho que prestam? (Leia mais: http://diplomatique.uol.com.br/print.php?tipo=ar&id=606&PHPSESSID=2992afb2cd65c8594faad2ff286459fc)

A classe média brasileira tem a esperança de conseguir um atendimento um pouco mais humano (menos sobrecarregado e menos impontual) quando opta por pagar um plano de saúde. O problema é que os convênios de saúde são atravessadores e o valor pago a eles chega muito diluído aos médicos. Então, muitos obstetras que atendem por planos de saúde só realizam cesarianas porque é mais rápido e eles podem programar suas agendas sem a necessidade de cancelar um dia inteiro de consultas. – Claro, mesmo sendo mal remunerados, há louváveis exceções entre os médicos.

E por fim, temos a possibilidade de atendimento particular. Qual é parcela da população que tem condições de bancar este tipo de serviço? Mesmo pagando nem sempre tem-se a garantia de ter seu desejo respeitado, são inúmeros os casos em que a gestação foi toda planejada para que o parto fosse normal e no fim, por pressão dos profissionais de saúde envolvidos acabou-se realizando uma cirurgia. É muito difícil argumentar com uma pessoa que tem a autoridade de anos de faculdade e experiência quando ela diz que por um “capricho” a vida da criança e da mãe podem estar em risco! – Pesquise muito, sempre, antes de optar por um médico, procure indicações e ouça os comentários feitos pelos outros pacientes na sala de espera.

Gostaria de deixar um exemplo pessoal de uma violência (verbal e psicológica) sofrida em uma ecografia de rotina. A médica ecografista tem sido a mesma desde a metade da gestação. O nosso bebê está sentado desde o fim do primeiro trimestre. Já no começo do terceiro trimestre ela começou a perguntar sobre a data da cesariana, sendo que sempre deixamos bem clara nossa opção por parto normal. Na penúltima ecografia ela perguntou qual seria a data que iríamos “interromper” a gravidez. Interromper!? Como assim!? Para mim, interrupção de gravidez = aborto! Só se interrompe algo quando não queremos que siga o seu curso “normal”.  – Felizmente o SrF é muito calmo, nessas situações, e tendo em vista o meu claro abalo emocional insistiu que conseguíssemos um encaixe no mesmo dia com nossa obstetra que me tranquilizou tanto quanto a este comentário infeliz quanto a inúmeras outras dúvidas que estavam anuviando meus pensamentos (sempre deixo perguntas anotadas na agenda para evitar de esquecê-las nas consultas).

Veja também:

http://www.campanhapontofinal.com.br/index.php

http://www.luluzinhacamp.com/dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres/

http://srtabia.com/2010/11/dia-25-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-o-que-podemos-fazer/

http://srtabia.com/2009/11/2511-dia-internacional-da-nao-violencia-contra-as-mulheres/

http://inediz.blogspot.com/2011/11/eu-nao-fui-estuprada.html

http://maismagenta.com.br/2011/11/24/pelo-fim-do-silencio/

http://smiletic.com/2011/11/25/pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher/

http://colunaecletica.wordpress.com/2011/11/25/voce-faz-a-sua-parte/

http://www.youtube.com/nomachismoec

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