Pelo direito de escolher

Desde o momento que decidi engravidar (leia obs.) tinha certeza que teria um parto normal (leia-se: vaginal).  Na verdade, o que eu queria mesmo era um parto natural (sem sedação e anestesia). Daí me toquei que eu queria mais que isso, queria que fosse humanizado (com presença de pessoas em quem confio, com diminuição de luz, sem intervenções cirúrgicas, sem ar-condicionado…). Afinal, quantos tipos de parto existem? Olhem este texto aqui: http://www.amigasdoparto.com.br/tipos.html

Mas a vida não segue agendas, protocolos, nem os planos que a gente faz… Estamos entrando na 40 semana e o Yago segue sentadinho (apesar das sessões de acupuntura, inúmeras moxas  e posições de ginástica para ajudá-lo a virar) e temos uma grande probabilidade de termos que fazer uma cesariana.  Como diz a minha médica cada gestação é uma e tudo pode acontecer (ela já viu criança virar durante o trabalho de parto na 41ª semana!). Meus exemplos familiares:  A minha mãe mesma passou por três gestações únicas com partos diferentes: 1ª Teve apendicite no sexto mês, foi operada e passou um mês internada para a recuperação, no oitavo mês foi feita uma cesárea (poderia ter esperado um pouquinho mais, mas foi pressionada pelo médico!). 2ª Tudo decorria bem, bebê saudável e tals, mas no parto normal usaram fórceps! 3ª Gestação gemelar levada a cabo até a 38ª semana, parto normal sem episiotomia! –  Minha irmã LêSC teve diabetes gestacional (pode causar obesidade e cardiopatia no bebê), do começo ao fim da gravidez teve um ganho de 3 quilos, seis meses atrás minha sobrinha nasceu super saudável com cerca de 2,9 kg em uma cesárea na 40ª semana (minha irmã não teve dilatação, nem entrou em trabalho de parto).

Por essas e por outras vamos esperar (sim, porque na verdade NÓS estamos grávidos, o Yago foi um projeto coletivo do Sr F e meu) o máximo que pudermos antes de decidirmos por uma intervenção cirúrgica (O bebê tem 42 semanas para ficar na segurança do útero, por que deveríamos apressar a sua saída de lá? Tem lugar mais seguro do que a barriga da mãe?). Mas as pessoas ao nosso redor estão mais ansiosas que nós, os pais! Dias atrás, no trabalho, o Sr F ouviu tantos palpiteiros que resolveu responder publicamente:

” Recado: Sou a favor que a mulher decida se quer gestar o bebê, ter parto normal ou cesária. Enfim, política democrática de respeito à mulher. “

Felizmente tenho todo um suporte familiar para saber que posso escolher a forma que eu me sentir mais confortável para DAR A LUZ, mesmo que isso signifique que no meio do trabalho de parto eu ache que a dor é demais para mim e pedir todo tipo de intervenção disponível!

 Algumas semanas atrás passei a frequentar um grupo de gestantes que faz uma campanha muito forte pelo parto natural. Até então, eu achava que a única forma real de dar a luz era através do parto vaginal.  Será mesmo? Até a pouco tempo o primeiro argumento que vinha a minha mente era: antigamente só tinha parto normal. Pois é, só que antigamente (sabe-se lá de quanto tempo estamos falando aqui!) tudo era diferente! A sociedade como um todo era diferente: a quantidade de filhos, a idade com que se casava, os problemas de ter um filho sem pai, a alimentação, os tipos de atividades físicas, os papéis sociais e profissionais, as cobranças de se ser uma super-mulher (profissional-mãe-esposa-gata…) e por aí afora! Da mesma forma este argumento tem que ser questionado quando fala-se sobre os partos em outras culturas (na Europa contemporânea, na América do Norte e até mesmo nos rincões e entre os indígenas brasileiros.).

A cesariana é uma cirurgia que salva milhares de vidas todos os dias, mas será que ela pode ser eletiva? Será que uma pessoa (ou um casal) ao engravidar pode programar a data do seu parto? Quem pode julgar o limiar da dor dos outros? Já vi e ouvi pessoas comparando cesariana ao direito da pessoa escolher fazer um aborto ou uma cirurgia plástica (estou falando aqui de pessoas devidamente esclarecidas sobre os prós e contras, que não foram  pressionadas pelos profissionais que lhe deveriam dar assistência) e várias condenando esta comparação por envolver a vida da mãe e da criança que não tem como expressar sua vontade (como se no aborto a situação não fosse a mesma!). Bem, por que não? É muito fácil julgar as decisões alheias, mas não podemos esquecer que o ser humano é único.

Além disso, a campanha pelo parto vaginal é tão radical que muitas cesareadas acabam sofrendo violência verbal e psicológica como se fossem “MENOS”! Nem toda mulher que passa por uma intervenção cirúrgica no parto é vítima de desconhecimento ou de má informação.

Que todas as mulheres tenham direito à informação e à opção de como acham que seja a melhor forma de seu(s) filho(s) vir(em) ao mundo!

Obs.:  Com nove anos de idade decidi que não teria filhos, e mantive essa opinião até outubro do ano passado (estava com quase 34 anos) . Mas por que não? O principal argumento que eu usava é que eu era egoísta demais para me dedicar de forma adequada a satisfazer todas as necessidades de uma criança, mas ao mesmo tempo pensava na possibilidade de adotar (já tem tanta criança perdida nesse mundo, precisando de família, estrutura…) em algum momento da minha vida. Depois de muitos anos de terapia descobri que o real motivo que a maternidade me assustava era o medo da possibilidade da criança ter um pai ausente (dados empíricos <leia-se: o senso comum> apontam que há uma grande tendência mundial dos homens acabarem sendo meros reprodutores!<Compare o número de pais e mães solteiros que você conhece, além dos pais e mães que fogem da responsabilidade de criar seus filhos.>).  O Sr F é tão presente e dedicado tanto como parceiro como “pai” dos nossos gatos que tenho certeza que independentemente o que aconteça entre nós o Yago SEMPRE terá o MELHOR PAI DO MUNDO!!! F. te amo muito, viu!? 😉

Veja também:

http://www.materna.com.br/reportagem-especial/parto-normal-humanizado-ou-cesaria/

http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2011/11/abortamentos-e-cesarianas/

http://guiadobebe.uol.com.br/parto-na-agua-e-seguro/

http://carolmafrason.drope.org/

http://geraldoprado.blogspot.com/2011/11/nota-da-ajd-sobre-partos-com-gestantes.html

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Trackback: A violência obstétrica em pauta
  2. Trackback: Ser mãe | Carol Mafra

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